
Comunicar implica saber. Saber implica estudar. A cearense Ana Cristina Carvalho Parente sabe disso. Ela tem 19 anos e está iniciando o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), depois de ser aprovada no vestibular do ano passado. Não teve influências de parentes para escolher o curso. Muito pelo contrário: dizem que jornalismo não dá dinheiro. Mesmo assim, com sua simpatia e jeito comunicativo, Ana Cristina acredita na futura profissão. “Se você for um bom profissional, pode conseguir tudo o que quer”, destacou.
Ao contrário da primeira Ana, a segunda, a Ana Lúcia Nolasco, está terminando o curso ao mesmo tempo em que conclui: o curso de Jornalismo da Ufac não atendeu às minhas expectativas. Esse resultado veio da seguinte soma: falta de professores e professores faltosos, mais laboratórios precários, mais falta de paciência, mais falta de atitude... Depois de cinco anos de estudos na Ufac, Ana Lúcia não conseguiu entrar no mercado de trabalho da comunicação. Ela é técnica judiciária aprovada em concurso público do Judiciário acreano. “Mas se pintar oportunidade na área de jornalismo, eu vou”, ressaltou.
Os dois exemplos citados representam, ao mesmo tempo, esperança e decepção. Mas como dizem os mais experientes: todas as primeiras turmas de todos os cursos sempre foram e sempre serão ‘os bois de piranha’. Segundo o site Yahoo! Respostas, a expressão Boi de Piranha tem origem na história de que quando há necessidade de uma boiada atravessar um rio onde haja piranhas, escolhe-se um boi doente ou fraco para ir primeiro. Então, enquanto as piranhas o devoram, os outros bois passam em segurança.
No curso de Jornalismo da Ufac não existiu nenhum “boi” doente ou algo parecido. Desde o início, sabe-se de grandes nomes que brigaram e saíram em busca de melhorias. Com o passar dos anos, o aconteceu foi um cansaço geral. Mesmo com o cansaço, deve-se destacar a atuação de jornalistas formados pela Ufac até o final do ano passado: Mariama Morena (TV Acre), Tatiana Campos (Agência de Notícias do Acre), Hermington *** (Assecom MPF) e Kleyber Guimarães (Fieac).
Decepção, esperança, profissionalismo, qualidade. Estas palavras talvez possam traduzir o que é o curso de Jornalismo da Ufac. Apesar das poucas condições (que agora melhoram a cada ano), a Ufac está contribuindo para a melhoria considerável da qualidade dos serviços de comunicação prestados no Acre.

