terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Anas do Jornalismo


Comunicar implica saber. Saber implica estudar. A cearense Ana Cristina Carvalho Parente sabe disso. Ela tem 19 anos e está iniciando o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), depois de ser aprovada no vestibular do ano passado. Não teve influências de parentes para escolher o curso. Muito pelo contrário: dizem que jornalismo não dá dinheiro. Mesmo assim, com sua simpatia e jeito comunicativo, Ana Cristina acredita na futura profissão. “Se você for um bom profissional, pode conseguir tudo o que quer”, destacou.

Ao contrário da primeira Ana, a segunda, a Ana Lúcia Nolasco, está terminando o curso ao mesmo tempo em que conclui: o curso de Jornalismo da Ufac não atendeu às minhas expectativas. Esse resultado veio da seguinte soma: falta de professores e professores faltosos, mais laboratórios precários, mais falta de paciência, mais falta de atitude... Depois de cinco anos de estudos na Ufac, Ana Lúcia não conseguiu entrar no mercado de trabalho da comunicação. Ela é técnica judiciária aprovada em concurso público do Judiciário acreano. “Mas se pintar oportunidade na área de jornalismo, eu vou”, ressaltou.

Os dois exemplos citados representam, ao mesmo tempo, esperança e decepção. Mas como dizem os mais experientes: todas as primeiras turmas de todos os cursos sempre foram e sempre serão ‘os bois de piranha’. Segundo o site Yahoo! Respostas, a expressão Boi de Piranha tem origem na história de que quando há necessidade de uma boiada atravessar um rio onde haja piranhas, escolhe-se um boi doente ou fraco para ir primeiro. Então, enquanto as piranhas o devoram, os outros bois passam em segurança.

No curso de Jornalismo da Ufac não existiu nenhum “boi” doente ou algo parecido. Desde o início, sabe-se de grandes nomes que brigaram e saíram em busca de melhorias. Com o passar dos anos, o aconteceu foi um cansaço geral. Mesmo com o cansaço, deve-se destacar a atuação de jornalistas formados pela Ufac até o final do ano passado: Mariama Morena (TV Acre), Tatiana Campos (Agência de Notícias do Acre), Hermington *** (Assecom MPF) e Kleyber Guimarães (Fieac).

Decepção, esperança, profissionalismo, qualidade. Estas palavras talvez possam traduzir o que é o curso de Jornalismo da Ufac. Apesar das poucas condições (que agora melhoram a cada ano), a Ufac está contribuindo para a melhoria considerável da qualidade dos serviços de comunicação prestados no Acre.

Ligados para sempre - A difícil tarefa de ser mãe



Se existe algo em que as mulheres costumam ser insuperáveis, é no relacionamento com os filhos. Já na gravidez, são elas as primeiras a estabelecer um contato afetivo com o ser que está a caminho. Assim também é durante todo o desenvolvimento do ser humano. O diálogo que se estabelece entre mãe e filho é íntimo, pessoal e por vezes misterioso.

Não é novidade que a responsabilidade na formação moral e social dos indivíduos ainda fica mais a cargo das mães. Mesmo com essa difícil tarefa, a maternidade dá um novo sentido à vida de muitas mulheres. É o caso da estudante Rayssa França, que tem um filho de dois anos. “Passei a enxergar a vida de uma outra forma, pois hoje meu filho é a razão das minhas metas. É por ele que eu acordo diariamente para encarar a vida”, ressalta.

A assistente administrativo Álefe Sámeque enfrenta dupla jornada de trabalho e faz o possível para estar perto do filho. Esforço e sacrifício recompensadores para ela. “Mesmo não tendo sido planejado, meu filho é a luz dos meus olhos. Trabalho o dia inteiro e ainda estudo à noite para dar o melhor a ele”, comenta.

A realidade vivida por Sámeque é semelhante à de muitas mulheres que ingressam no mercado de trabalho e acabam por exercer múltiplas tarefas. Dados do IBGE revelam que as brasileiras trabalham em média 11,6 horas por dia, em razão da dupla jornada de trabalho. Ainda assim, elas procuram encontrar um tempo para dedicar aos filhos.

Tanta luta e dedicação tem uma explicação: amor. O vinculo maternal surge na gestação e muitas vezes dura por toda vida. A dona de casa Maria Souza é um exemplo disso. Ela relata que sempre está preocupada com seus três filhos, embora todos sejam adultos.

É por esta e outras preocupações que nem toda mulher está preparada para enfrentar a maternidade. A criação de uma criança requer disposição física, emocional e financeira. Saúde, educação e formação de caráter são apenas algumas das responsabilidades e demandas de uma mãe e de um pai para com o seu filho.

Planejamento – Assim como na maior parte das coisas que pretendemos alcançar, planejar é essencial para o êxito na vida familiar. É nesse sentido que os módulos e postos de saúde de Rio Branco oferecem à comunidade os serviços de planejamento familiar, recomendado pela Organização das Nações Unidas – ONU.

O planejamento familiar torna possível o casal decidir quantos filhos quer ter e quando os terá. É também uma oportunidade que os casais têm em escolher entre ter ou não filhos, conforme sua condição e expectativas de vida.

Para viabilizar o exercício dessa prática, foram criados dispositivos jurídicos que tratam da questão. Um exemplo é a Lei 9.263, que regulamenta o planejamento familiar, e a própria Constituição Federal, que impõe ao Estado o dever de fornecer meios para a garantia desse direito.

A funcionária pública Carolynne Oliveira está ciente das dificuldades que podem surgir com a maternidade. Por isso, decidiu adiar a chegada de um novo membro à família. “Quero dar o melhor ao meu filho, mas ainda não estou preparada para isso. Antes de ficar grávida, quero me firmar na profissionalmente e planejar passo a passo minha vida de mãe”, relata.

Planejada ou não, encanta observar a maternidade e os laços de afeto que se reforçam dia após dia. O amor entre mãe e filho demonstra a grandiosidade da vida e revela que a felicidade pode estar nas pequenas coisas do cotidiano humano.